
Algumas coisas nós relevamos sem perceber. Revelamos, na maioria das vezes para nós mesmos. Parece que existem duas pessoas em mim. Uma que vive, que fala, que interage com o mundo; outra está presa lá dentro, não é ouvida nem percebida. Mas essa pessoa lá dentro não tem o véu do orgulho, da vaidade, do ciumes cobrindo o seu olhar. Por isso esta encherga muito melhor que a primeira pessoa.
Aí ela tentar dizer o que de fato está acontecendo no mundo a volta, enquanto a pessoa daqui de fora nem se atenta para isso e continua cega, ou parcialmente cega, por seu falso moralismo. Por isso a pessoa lá de dentro grita, se irrita, chora, enquanto a pessoa de fora só pensa "tem alguma coisa estranha em mim, mas o quê?".
Agora a pessoa lá de dentro descobriu uma tática. Ela se deixa levar pelo entusiasmo da de fora, mas na hora da exaltação ela deixa uma palavra solta, uma lágrima perdida num pensamento, uma imagem de algo que de princípio não quer dizer nada.
Só então essa pessoa limitada de fora percebe que não está só. Mas isso não é motivo pra ser feliz, pq a pessoa de dentro não existe para aplaudir a hipocrisia, mas para dizer onde está errado, quando tem que mudar tudo.
E essa pessoa lá dentro só me diz: " morrer é muito fácil, vc já tentou viver pra descobrir onde Deus planta as dificuldades?". E o que dizer agora? Ela tá certa enquanto eu fico aqui, lamentando uma dificuldade que não existe, uma vida que não existe, lamentando um amor que nunca existiu, uma amizade que não passou de 'bom dia', um coração que não tem nada além de uma rachadura.
Mas a unica dúvida que fica em mim é: será que vou sempre ouvi-la? Ou fecharei meus olhos de novo?

