15 de junho de 2006

Fruto da Insônia




Estava eu a pensar nesse universo felino que permanece a me encantar. Percebi então que o encantamento tem razão de ser. Razão fundamentada num comportamento sutil que permaneço perpetuando; quer seja inconscientemente, quer conscientemente.

Ainda que tratem os felinos como traiçoeiros (e assim o fazem), eles não chegam a assumir o adjetivo. Sua natureza é da sutileza da natureza do homem, posto que eles saem da previsibilidade, como não acontece com os caninos.

Sua característica mais peculiar está no fato de ter essa “personalidade” que costumam citar e que, conseqüentemente, acaba por afastar os mais medrosos, ou posso chamá-los (porque não?) de preguiçosos. No âmago, esperam um comportamento que se assemelhe ao canino.

O interessante é que o maior atrativo nesse universo é de fato a imprevisibilidade da relação com um felino, mas falo por mim nesse momento. O que me atrai é a possibilidade de surpresas, que, em sua maioria, são prazerosas.

Percebi então uma característica do homem, um tanto quanto decepcionante, por assim dizer, pois este espera um modelo rígido, estático e imutável de tudo que o rodeia. Assim o somos com os animais e, pior ainda, o somos com os outros.

Talvez este seja o tendão de Aquiles das relações humanas. Se não encaixarmos o outro em um modelo, não sofreríamos dizendo coisas como: “eu não esperava isso de vc”. O receio que se têm do universo felino então desmascara a fraqueza do homem.

Ainda assim acredito que a maior fraqueza não esteja em fazer previsões e criar conceitos, mas esteja no desejo constante de mudança interna enquanto não aceitamos a mudança interna do outro. Volto a hipocrisia, não?

Enfim, cada vez mais fico com os felinos. Ainda que eu profetize sobre os que me rodeiam, prefiro aceitar as surpresas. Prefiro ser arisca quando me convém, prefiro ser surpreendida com uma patada, com uma lambida, com um bote.

Entro no feriado com o desejo de surpresas. Surpresas dos felinos e, principalmente, das pessoas.

Um comentário:

Raul disse...

Conclusão:
Você é mesmo imprevisível Maíra. Talvez por isso seja uma gata!?
Putz, he he he

Esse foi o trocadilho-cantada mais xulo que eu já fiz...