31 de janeiro de 2009

Infundadas pérolas

Para ler ouvindo : Eu não sei dançar - Marina Lima



Se um dia, somente nesse dia
Algum homem, tolo eu diria
Atrevesse-se a me amar
Talvez esse mundo canhoto
Sem cor, sem rosto
Sorriria, ainda que sem foco
Choraria, por alguns segundos
Morreria, sem ao menos perceber



Por maior que seja a dor
-Dor infundada, boba, perdida -
Não se encontra a razão,
A tal que explique o aperto,
Essa facada no peito.



Não é bem o vazio,
Nem a velha solidão.
É a tristeza, dona de mim,
Que tira essas quimeras,
As toma do meu peito.



Pérolas divinas me rodeiam,
Escorrem pela minha face,
Inundam meu peito, se multiplicam,
Vieram do aperto, da dor perdida,
Que me toma aos poucos, todos os dias...

3 comentários:

Marcio Brigo disse...

As vezes temos ate mais perolas do que acreditamos, por vezeses elas estão de forma a parecer inalcansaveis, mas o tempo mostra que nada é impossível.

Apontador disse...

Belo poema como sempre !!! Uma lírica forma de expor o sentir tão complexo...
E eu creio que o mundo está cheio de tolos por essa ótica. Quem não se atreveria?

muriloha disse...

Viva sua tristeza com total autenticidade. E você ficará surpreso ao ver que uma porta miraculosa se abre em seu ser. Se você puder viver sua tristeza sem nenhuma imagem de ser feliz, você fica feliz imediatamente, porque a divisão desaparece. Não há mais nenhuma divisão.

“Sou a tristeza”. E não há nenhuma questão de algum ideal de ser algo mais. Assim não há nenhum esforço, nenhum conflito. “Sou simplesmente assim” e há um relaxamento. E esse relaxamento é graça, e esse relaxamento é alegria.

Todo sofrimento psicológico só existe porque você está dividido. Dor significa divisão e alegria significa nenhuma divisão. Isso pode parecer paradoxal a você: se a pessoa estiver triste, como é que ela pode ficar alegre aceitando sua tristeza? Irá parecer paradoxal, mas é assim. Experimente!

Não estou dizendo para tentar ser feliz; não estou dizendo isso, “Aceite sua tristeza para que você possa ser feliz”. – Não estou dizendo isso. Se essa for sua motivação então nada irá acontecer; você ainda estará lutando. Você estará olhando pelo canto de seu olho: “Tanto tempo já passou e eu aceitei até mesmo a tristeza, e estou dizendo ‘Sou a tristeza”, e ainda assim a alegria não está vindo”. Ela não virá desse jeito.

Alegria não é uma meta, é um subproduto. Ela é uma conseqüência natural da integridade, da unidade. Apenas seja um com essa tristeza, por nenhum motivo, por nenhum propósito particular. Não há nenhuma questão de qualquer propósito. É assim que você é nesse momento, essa é sua verdade nesse momento. E no próximo momento você pode ficar zangado: aceite isso também. E no próximo momento você pode ser algo mais: aceite isso também.

Viva de momento a momento, com tremenda aceitação, sem criar nenhuma divisão, e você está a caminho do autoconhecimento.

Osho, em Unio Mystica