16 de agosto de 2008

Tudo que eu posso te dar é solidão com vista pro mar....


Ouvi essa semana:

"Sabe o que vejo em vc? Vou te dizer e vai entender minhas reclamações. Vejo um muro de tijolo, muro alto. Nesse muro, as vezes vc abre uma janelinha e coloca a mão pra fora pra me dar um tchauzinho, e só. Depois a janela some e fica apenas aquela cor insossa me olhando".
Depois de ouvir isso, vejo o quanto não mudei nada. Sou um muro, triste e insólito.
Aos 16 anos escrevi isso, no ápice da depressão.


MEU QUARTO

O chão do meu quarto
É feito de lágrima.

A parede do meu quarto
É feita de grito.

O teto do meu quarto
É feito de pensamento.

A porta do meu quarto
É feita de solidão.

Meu quarto é um fator endógeno:
Um grande exílio sem anistia,
É enfim a nata visionária
De uma princesa que velejou
Nas cinzas do carnaval.

Meu quarto
É um coração impuro,
Na verdade morto
Pelo tempo sujo
Cujo silêncio é festa .
Pelo visto muita coisa não mudou....
Tenho tanto a mudar em mim que chega a dar preguiça só de pensar....

4 comentários:

Apontador disse...

Permita-me discordar, lírica e apaixonante poetisa. Tu não és em nada muro. Prova é a maneira tão verossímil e graciosa que tens de expor tuas opiniões para o mundo, para si própria, para nos encantar, sem essa intenção primordial. Maíra, você é um fenômeno único e maravilhoso da natureza... Alguém que encanta tanto ao se expressar, ao expor seu mundo... não é nem de longe um muro... se for... é isso que eu quero ser.

Unknown disse...

Não sabes o q é viver comigo....

Só sei me expressar no Alma, fora daqui sou um muro.... e dos grandes...

Apontador disse...

Sim, mas se tu se expressas tão bem um lugar não és um muro. Muro não se expressa em lugar nenhum. Outros é que se expressam nele.

Anônimo disse...

Isso foi realmente interessante. Adorei lê-lo